terça-feira, 21 de dezembro de 2010

de "ser" artista..


A singularidade localiza o sujeito/corpo.
A singularidade talvez seja o ato de reconhecer em si e no outro o que, do todo em que coexiste, está implicado em maior ou menor dimensão. E esta ação pode localizar o sujeito/corpo quando, este percebe por onde caminha, em quais lugares transita, em qual lado da rua se está olhando em outras direções, enchergando, vendo, reconhecendo, identificando familiaridades, em tudo mais a sua volta. 
Mas o modo que se vê o mundo é singular.
Cada um tem em si suas implicações do local, lugar, ambiente, em que coexiste numa específica dimensão de maior ou menor proximidade com certas coisas, cada um com seu modo específico de ver o mundo.


O artista não tem necessariamente a obrigação de considerar, em sua obra, tudo que reconhece dentro das possibilidades das coisas qe coexistem, mas tem a possibilidade de mostrar/ser o seu modo de ver o mundo, como o lugar por onde anda o afeta e ao seu contexto, o quanto assume o ambiente em que opta por coexistir em dimensão de maior proximidade, portanto maior contaminação. Assume sua escolha enquanto atos. Reconhece em si suas escolhas, comprova suas consequências, fala do que é verdade para si. Podendo ser excludente. Mas a ate em "si" não é includente. Ela fala da sensação, seja qual for do indivíduo, do sujeito singular, do artista. Fala para poucos, mas é aberta as relações e conexões com outros.

Enoque Sabiá

sábado, 18 de dezembro de 2010

[tópicos monográficos]

Thiago Enoque Sabiá

O que tenho aprendido durante o período de estudos acadêmicos orientado torna-se mais claro agora, num momento de ordem prática, no qual para realizar esta prática necessito rememorar o aprendizado.
Não se trata apenas de fazer presente a memória de uma época, mas é ver em escalas de aproximação, de ordens de camadas, de dobras e desdobramentos o que aprendi com tal experiência.
Para o caso da Cia ObCena de Artes (aqui Autólise é o projeto em questão), tomando o “aprendizado orientado”1 como referência, compreendo que este requer primeiramente um exemplo de partida, no caso da academia, o projeto de pesquisa do orientador. Deste projeto faz-se a leitura – entre aqueles interessados em ingressar num tipo de troca como esta -, depois se segue com cada aprendiz/aluno interessado, na elaboração dos seus projetos (planos de trabalho),
*Estratégia/modo de iniciar um grupo de pesquisa, de trabalho de criação artística, uma
companhia de arte.
Para um projeto de orientação de um grupo de pesquisa configurado enquanto companhia de artes, a prática do “aprendizado orientado” também mostra-se adequado.
Percebo neste modo de organização uma horizontalização das hierarquias. Para esclarecer: adentra-se num projeto de pesquisa por livre escolha; desenvolve-se a partir de um PB (Projeto Base) um PT (Plano de Trabalho) no qual se atua dialogando com as referencias contidas/trazidas no PB e as singulares do proponente do PT.
Como se trata de um lugar de exercício de comunicação refere-se a instâncias de um projeto base ainda não esmiuçadas, experimentadas, experienciadas, desgastadas. No desenvolvimento de uma dessas instâncias, aquela que parte de uma escolha singular, é que acredito verdadeiramente ser possível a ocorrência da horizontalização das hierarquias.
É exatamente onde as hierarquias se horizontalizam, no momento da exposição e averiguação do aprendizado.
Contudo, ainda no que se refere ao início da organização deste grupo de estudo/pesquisa, deste “aprendizado orientado”, é que: pautar-se num projeto base para a construção e desenvolvimento do seu próprio não se trata de uma submissão, mas sim, de um companheirismo a um projeto eleito, acreditando-se que este está certo.
Não se trata de um modo impositivo e (re)produtivo, como é praticado nos moldes de ensino da educação formal5, mas de atuar na condição de deixar as conexões se estabelecerem, as curiosidades surgirem, as demandas de resolução aparecerem, para iniciar-se uma engrenagem do processo de aprendizado e interesse pelo conhecimento.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

É VENTO DE TODOS!

AUTÓLISE + CORPO QUIASMA

Thiago Enoque Sabiá




                                                  Inaê Moreira                                                  

FOTO: CAROL D'ÁVILA

TEATRO GAMBOA NOVA
NOV/2010

NA ZONA

Começa com um simples ato de percepção.


No tempo das colisões e pressões. 
No tempo que a entropia gritar.
Fazer avançar a miscelânea de auto-quebras.

a CIA OBCENA DE ARTES se configura como um lugar de "ajuda mútua", emancipação e busca para uma autonomia de produção artística, e auto-sustentabilidade.


No tempo em que o "fetichismo da mercadoria" cria uma unidade tirânica e falsa que tende a ofuscar toda a diversidade cultural até na arte, nos aventuramos nos céus e CRIAMOS um lugar, uma saída, uma válvula, um vírus! 
Um lugar de transgressão, de subversão, de nômades, ciganos, viajantes pisíquicos em busca de diversidade, aventura, e verdade, afim de enxergar o mundo através de olhos caleidoscópicos, olhos de algum inseto dourado,  que apresente a concepção de outro mundo inteiramente diverso neste mesmo mundo.


Possivelmente uma TAZ, uma Zona Autônoma Temporária, na sua essência, buscando a experiência de forma imediata, "peito-a-peito". 

Propagando liberdade e autonomia; combinando informações e desejos para intensificar nossa própria emergência! 


E para isso a arte!


Uma arte imoral, sem pudores, uma arte que se contradiz, porque deseja ser.
A liberdade criativa a partir de meios não convencionais, fugindo do comum para que assim se construa uma utilização do que não é visto como útil.

‎"Eu vos digo; é preciso ter ainda caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançarina. Eu vos digo; ainda há caos dentro de vós."

-Z




                                                    Chris Burden

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Autólise – últimas apresentações


Quem ainda não assistiu tem apenas este fim de semana para ver o espetáculo!

Vencedor do edital Yanka Rudzka, Autólise, o solo do ator e dançarino Thiago Enoque tem suas últimas apresentações neste fim de semana, de 05 a 07 de novembro, sempre às 20h, no Espaço Kryacura.

Mais que um espetáculo de dança, Autólise é uma galeria de arte. A performance acontece em um casarão, no largo dois de julho, com instalações artísticas em todos os ambientes da casa. Sons, imagens e objetos configuram um ambiente celular no qual o performer desenvolve suas ações, “células -performances”, enquanto dialoga com o público.

Autólise, segundo a biologia, é o efeito de destruição da célula por suas próprias enzimas, o que gera um processo de auto-ingestão, auto-consumo. O espetáculo busca através da dança contemporânea e de instalações artísticas levar o público a ver nas macro-estruturas sociais o mesmo processo de destruição que ocorre nas micro-estruturas celulares. 

Serviço:
O que: AUTÓLISE - Últimas apresentações
Onde: Espaço KriyaCura_ Rua Democrata, nº 21. Dois de Julho. Centro
Quando: 05 a 07 de novembro, às 20h.
Quanto: R$ 8,00 (inteira) e R$ 4,00 (meia)
Realização: Cia Obcena de Artes

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